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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

PERMISSÃO PARA MATAR..!!!! LINCHAMENTOS EM 2014 ACIMA DE 50 CASOS.

   No estágio de barbárie que ainda nos encontramos, alguns humanos concedem a si mesmos licença para matar pessoas (quase sempre impunemente, porque a polícia brasileira somente apura 8% dos homicídios no Brasil).      Ainda assassinamos pessoas como se matam baratas. Isso ocorre de diversas maneiras: execuções sumárias (normalmente praticadas por agentes do Estado ou contra eles), grupos de extermínio, linchamentos, esquadrões da morte, justiceiros, jagunços, milícias, falsos super-heróis, limpeza social, tribunais do crime organizado etc.
   O linchamento constitui uma nefasta licença para matar, sendo manifestação típica das massas (composta de todas as classes sociais; prova disso é que todas elas estão agora surfando na moda dos justiçamentos com as próprias mãos).    O linchamento constitui uma evidência do nível de rebelião das massas desorientadas (precisamente pela carência, no país, de lideranças confiáveis). Este fenômeno veicula duas possíveis direções (veja Ortega y Gasset 2013: 142): (a) pode ser o trânsito para uma nova e inusitada organização da sociedade e da humanidade ou (b) uma catástrofe no destino humano. Não existe razão para negar a realidade do progresso (diz o autor citado); "porém, é preciso corrigir a noção que acredita garantido esse progresso. Mais congruente com os fatos é pensar que não existe nenhum progresso seguro, nenhuma evolução sem ameaça de involução e retrocesso. Tudo, tudo é possível na história (tanto o progresso triunfal e indefinido como a periódica regressão). Porque a vida, individual ou coletiva, pessoal ou histórica, é a única entidade do universo cuja substância é o perigo. Ela se compõe de peripécias. É, rigorosamente falando, um drama". No Brasil esse drama tem coloridos distintos porque aqui a vida vale muito pouco.
   Mais de 50 linchamentos ocorreram no Brasil no primeiro semestre de 2014 (veja Rosanne D'Agostino, no G1:http://g1.globo.com/política/dias-de-intolerancia/platb/).     Um professor de história, em SP (André Luiz Ribeiro, 27), só se salvou da brutalidade macabra depois de (a pedido dos policiais) mostrar conhecimento (dar uma "aula") sobre a Revolução Francesa. A onda massiva começou com aquele adolescente negro acorrentado no RJ. Naquele mesmo dia setores da mídia (completamente sem noção) começaram a apoiar o justiçamento das pessoas com as próprias mãos. A intolerância e a animalidade das massas (de todas as classes sociais) culminaram em vários assassinatos, inclusive de pessoas completamente inocentes (como Fabiane de Jesus, no Guarujá, SP). "Foi algo surreal (disse o professor). Só acreditamos quando chega próximo de nós.      Aí você vê que é muito real mesmo, esse ódio das pessoas Essa brutalidade do ser humano.""As pessoas que queriam me bater sabiam que não era eu, mas como meu irmão não era homem suficiente para estar ali, eu ia apanhar no lugar dele" (Mauro Muniz, 37, Araraquara-SP). A prática de assassinatos por multidões era comum na antiguidade, no tempo do estado de natureza (Hobbes), onde não havia lei nem autoridades locais. Na época da colônia, no Brasil, foram inúmeros os massacres (sobretudo de índios e negros). Tudo com a garantia da absoluta impunidade. A queima de bruxas, nos séculos XV-XVIII, foi o maior "linchamento" promovido pela Igreja (tratou-se da guerra contra o Satanás que, segundo a crença então corrente, copulava com as mulheres, transformando-as em bruxas). A origem da palavra linchamento (veja reportagem do G1) é atribuída a Charles Lynch, fazendeiro da Virgínia, nos Estados Unidos, que punia criminosos durante a Guerra da Independência em 1782; e ao capitão William Lynch, que teria mantido um comitê para manutenção da ordem no mesmo período. Em 1837, surge a Lei de Lynch (bater com pau), baseada nos atos do fazendeiro, usada para pregar o ódio racial contra negros e índios.
  Na matéria do G1 são mostrados os inúmeros linchamentos de 1980 a 2006 (por exemplo: 1980, 31; 1984, 70; 1987, 75; 1991, 148; 1993, 69; 1999, 58; 2002, 25; 2005, 12 etc.). São incontáveis os motivos que levam algumas pessoas a massacrarem coletivamente outras: insegurança, caça às bruxas, homofobia, regime totalitário, divergências ou intolerâncias religiosas, racismo, corrupção, defesa da honra ou da família etc. A descrença no funcionamento das instituições sempre está na base dos linchamentos.




  • http://professorlfg.jusbrasil.com.br/noticias/128080618/licenca-para-matar-mais-de-50-linchamentos-em-2014?utm_campaign=newsletter&utm_medium=email&utm_source=newsletter.
  • Publicado por Luiz Flávio Gomes

terça-feira, 7 de outubro de 2014

ATAQUES CONTRA NORDESTINOS..!!! É IMPRESSIONANTE.

   Existe muita coisa de boa e de ruim do ser humano, mas certamente uma das piores é o preconceito e o racismo em relação as suas origens. E você só sabe como funciona este tipo de situação, e o quanto isso é perverso, apenas no dia que sente. 

"A gente vem jogar na Paraíba e colocam um paraíba para apitar, só podia dar nisso". 
A declaração do jogador Edmundo em 1997, à época atuando pelo Vasco, após ser expulso por um juiz cearense em um jogo em Natal, evidenciou bem a generalização e o preconceito ainda existentes no país, especialmente no sul/sudeste e contra nordestinos. De lá até hoje, nada mudou. 
   Políticos recentemente já atribuíram o aumento da violência em São Paulo à migração desenfreada,  enquanto ps "paraíbas" e "baianos" (como são chamados os nordestinos em geral no Rio de Janeiro e em São Paulo) continuam a ser vistos e tratados com discriminação, seja ela explícita ou não, de modo que uma declarações como estas duas podem externar preconceitos que muitas vezes são considerados naturais por quem os profere.


Assim como a estudante paulista, o jogador carioca também deveria ter sido condenado pela prática do crime de xenofobia. Esquecem esses que o crescimento econômico do sudeste se deve muito à contribuição da força de trabalho dos nordestinos que migraram para aquela região. Por pura ignorância desconhecem que somos a raiz cultural do Brasil. Foi aqui que tudo começou. E são nascidos aqui grandes expressões da cultura nacional, sem falar nos destaques do mundo político. Quem se julga diferente, na verdade se expõe como despreparado e inculto, e nisso realmente reside a diferença, podemos ser até em boa parcela analfabetos, mas é difícil encontrar um nordestino burro. Se não tem a cultura de formação escolar, tem a cultura de formação na luta da vida, conquistada na experiência e na solidariedade que caracterizam nosso povo, enfrentando as intempéries do nosso ambiente, mas acima de tudo respeitando o próximo. Esse preconceito movido por questões geográficas é inaceitável. Basta de querer associar a pobreza e a violência dos grandes centros do sudeste brasileiro à presença sempre crescente dos nordestinos naquela região. A decisão da justiça ao condenar a estudante preconceituosa e ignorante é um exemplo importante para que possamos, de uma vez por todas, eliminar esse sentimento de enxovalhamento e desrespeito para com o povo nordestino.  
  É muito constrangedor ver pessoas  sem nenhuma informação. Sem estudo e sem educação patriótica, falar e denegrir gente de seu próprio país.


    Nós sabemos que em todo Brasil e em todo lugar existem pessoas que não tiveram oportunidade, de desenvolverem suas aptidões intelectuais e físicas e econômicas, devido a falta de oportunidade. Pelos governos do Brasil no passado, mas seria bom se estas pessoas preconceituosas  vissem nossas economia, nossas faculdades, nosso desenvolvimento, nossas praias e nosso povo hospitaleiro, pois que queiram quer não ,quando estes preconceituosos assinam seus nomes e sobre nomes , seria legal que eles estudassem suas origens e sua árvore mãe. Seria muito bom que estas pessoas compreendessem,
Que infelizmente, estarão num retângulo de terra, quando forem enterrados,
   E nem sabem pra onde irão. Seria bom que John lenon  retornasse, cantando IMAGINE. Seria bom que eles preservassem nosso ecossistema.Seria bom que eles pregassem a Paz na terra. AFINAL O BRASIL É UM GRANDE SOPÃO QUE PARECE DAR DE COMER A TODOS.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

BRASILEIROS, E BRASILEIRAS.!!!! PASSADO AGORA BEM DISTANTE. SERÁ..?

   “Naquela campanha (Diretas Já), superamos a ditadura. Nesta, derrotamos a longa noite oligárquica e coronelista que dominou a política maranhense”, disse, referindo-se ao clã Sarney, que administra o estado desde a eleição para governador de 1965 — ano em que José Sarney venceu o pleito e deu início à Era Sarney no estado. Dino recusou-se a furar a fila ao chegar à seção eleitoral e optou por se posicionar atrás dos que estavam preparando-se para votar.
 Jose Sarney e sua filha Roseana Sarney


O Sarney que emerge nos anos 50, substituindo o velho coronel Vitorino Freire, trazia um sopro de modernidade e uma utopia comprada por seus eleitores: a de que, tendo peso político nacional conseguiria atrair grandes obras para o estado que, por si, promoveriam o desenvolvimento. De fato, atravessam o Maranhão seis rodovias federais, três ferrovias, o estado dispõe dos maiores complexos portuários do nordeste, energia abundante de dois lados, da Chesf e de Tucuruí. E, ao mesmo tempo, ostenta os piores indicadores sociais do país. É o estado com o menor número de policiais por habitante, de leitores hospitalares, um dos três piores em educação, saúde, saneamento e qualquer outro indicador de civilização. Não tem sociedade civil, ao contrário do Ceará, lá não  se desenvolveu o empreendedorismo, porque tudo submetido ao modelo oligárquico: só prosperavam negócios que interessavam diretamente aos Sarney.
   Hoje em dia, o estado exporta soja in natura, por não dispor de um processador sequer. Exporta o ferro a Vale e o alumínio da Alcoa. Não conseguiu atrair uma fábrica sequer de laminado de alumínio, aço, uma indústria com cadeia produtiva robusta e não verticalizada. Os arremedos de modernização - como a tal reforma administrativa de Roseana, decantada em prosa e verso nos anos 90, não saiu do papel. Não existe um plano de desenvolvimento, anunciaram 72 novos hospitais, não entregaram dez.
   No entanto, talvez seja o estado nordestino com maior potencial de desenvolvimento. Tem uma posição geográfica invejável, na transição da Amazônia com o nordeste, como ponto próximo à África e Europa, com bom regime de chuva, bacias hidrográficas perenes, 640 km de litoral e infraestrutura.Não tem mão-de-obra especializada porque povo nunca esteve na mira dos Sarney. Se der sorte, a renovação política permitirá ao estado, finalmente, completar-se.

O candidato Flávio Dino (PcdoB) decretou neste domingo (5) o fim na era Sarney no estado do Maranhão. Com 85% das urnas apuradas, candidato do PCdoB obteve 64% dos votos válidos. Seguido por Lobão Filho (PMDB), que teve 33,11% e Pedrosa (PSOL), com 1,18% dos votos maranhenses.  O candidato do PCdoB repudiou as insinuações feitas por Sarney, de que estaria por trás dos ataques do crime organizado aos ônibus da capital. “Não estamos mais dando ouvidos a esse tipo de ataques, fruto de desespero eleitoral”, disse o candidato. Dino referia-se a um artigo escrito por Sarney no jornal de sua família, em que fez a acusação. 
“Espero que a partir de agora o grupo que está no poder tenha uma atitude mais digna e democrática, e que seus integrantes aceitem o resultado popular”, afirmou. O candidato do PCdoB teve o apoio de dissidentes do PT. “Hoje viramos a página do passado. Nosso Estado finalmente entra no século 21”, decretou, após ter seu nome confirmado.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ASSÉDIO NO AMBIENTE DE TRABALHO. SEGURA BRASIL.

     Há momentos que palavras e gestos de incentivo podem fazer a grande diferença em nossas vidas.No ambiente de trabalho, normalmente lidamos com limitações, cobranças, críticas, dificilmente alguém nos estende a mão, sobretudo quando estamos algo fragilizados.

   A prática do Assédio Moral é mais comum do que se supõe, ela torna-se sutil, através de comentários indevidos, brincadeiras que tem por objetivo denegrir a imagem profissional ou a trajetória que o funcionário vem percorrendo. Atitudes irônicas que refletem o descaso ou mesmo falta de atenção durante um certo período de tempo, tornando-se sistemáticas, são características do Assédio Moral.
   A intenção é denegrir o profissional, isso é motivado por um sentimento de "inveja" de insuportabilidade em conviver com os talentos que normalmente o assediador não possui.

  O assédio moral ocorre entre colegas de trabalho, de subordinado para a chefia ou da chefia para o subordinado. Normalmente o assediador não escolhe o seu alvo por um acaso, a vítima destaca-se por algum talento ou habilidade que ele próprio não possui.

No Brasil, os processos por assédio moral estão se multiplicando na  Justiça. Matéria publicada na revista Carta Capital expõe dados alarmantes. Só na Bahia, foram 981 casos de assédio em 2013, contra apenas um em 2012. A pressão pela produtividade está levando os trabalhadores a se submeterem a todo tipo de coerção com medo de perder o emprego. A Justiça do Trabalho está sensibilizada e já está dando ganho de causa a trabalhadores ou familiares que se queixam de depressão, pressão alta, síndrome de pânico e até suicídio.
  Usando o discurso do “trabalho em equipe” e trocando o termo “empregado” por “colaborador”, o capital tenta escamotear o suplício dos cidadãos para cumprimento de metas. Nas denúncias, os funcionários falam de humilhações, xingamentos, preconceito racial e limitação de idas ao banheiro. Os casos impressionam. Uma multinacional dava troféus “tartaruga” e “lanterna” aos piores empregados. Outra os colocava de castigo, de frente para a parede. Uma terceira empresa escreveu no contracheque a frase “não desanime, pois até um pé na bunda te empurra pra frente”.
Lembre-se:
  O assédio moral no trabalho não é um fato isolado, como vimos ele se baseia na repetição ao longo do tempo de práticas vexatórias e constrangedoras, explicitando a degradação deliberada das condições de trabalho num contexto de desemprego, dessindicalização e aumento da pobreza urbana. A batalha para recuperar a dignidade, a identidade, o respeito no trabalho e a auto-estima, deve passar pela organização de forma coletiva através dos representantes dos trabalhadores do seu sindicato, das CIPAS, das organizações por local de trabalho (OLP), Comissões de Saúde e procura dos Centros de Referencia em Saúde dos Trabalhadores (CRST e CEREST), Comissão de Direitos Humanos e dos Núcleos de Promoção de Igualdade e Oportunidades e de Combate a Discriminação em matéria de Emprego e Profissão que existem nas Delegacias Regionais do Trabalho.

  O basta à humilhação depende também da informação, organização e mobilização dos trabalhadores. Um ambiente de trabalho saudável é uma conquista diária possível na medida em que haja "vigilância constante" objetivando condições de trabalho dignas, baseadas no respeito ’ao outro como legítimo outro’, no incentivo a criatividade, na cooperação.O combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a formação de um coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes atores sociais: sindicatos, advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos, antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral. Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e violências e que seja sinônimo de cidadania.