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segunda-feira, 22 de junho de 2015

QUANTO VALE UMA VIDA DIGNA..?

Por erro judiciário, o senhor Heberson de Oliveira, pedreiro, do Estado do Amazonas, teve sua dignidade tirada. Heberson fora preso acusado de estupro, tendo ficando preso durante 3 anos sem se quer ser julgado nem condenado, vale ressaltar que a sentença deve ser dada em até 90 dias. Durante a estadia deste cidadão no presídio, fora estuprado por diversas vezes, tendo contraído o vírus HIV.
O fato chocante é que depois de feita a investigação, fora contatado que não era Heberson o delituoso. Fora do presídio, tendo ficado 3 anos preso injustamente, e contraído uma doença capaz de tirar sua dignidade, ainda luta para receber uma indenização no valor de R$ 170 mil reais do Estado, que este julga alta ao caso.
Diante da postura adotada pelo Estado, resta a indagação: quanto vale uma vida digna? Podemos afirmar que não é maior que a quantia de R$ 170 mil reais. O triste caso de Heberson de Oliveira é de uma gravidade absurda, e que deve ser analisada por toda a sociedade, pois denota clara carência de justiça nesse país. Sem recursos financeiros para se manter, este cidadão sofre diariamente.
Casos como este só nos resta indignação e revolta, afinal, vivemos em um país que prega ser democrático e na prática desampara um cidadão vítima de erro do sistema. Não podemos esquecer, é claro, da própria sociedade, que também excluí Heberson e milhares de outros ex-presidiários. Se não bastasse o abandono cruel do estado, ainda precisa enfrentar a represália da sociedade, que o encara com desprezo por ser ex-presidiário e portador do vírus da aids.
O que fazer? Diante do caso, Heberson só conta com a ajuda de pessoas que se sintam motivados a ajudá-lo. Inclusive existe um grupo: https://www.facebook.com/groups/244196222416105/?fref=ts
 No mais, cobrar da sociedade em geral uma discussão madura sobre o rumo do nosso país.








Fonte:http://carloshenriquelima16.jusbrasil.com.br/noticias/200583875/quanto-vale-uma-vida-digna?utm_campaign=newsletter-daily_20150622_1353&utm_medium=email&utm_source=newsletter

ODEBRECHT/GUITIERREZ: NUMA CLEPTOCRACIA A LEI VALE MESMO PARA TODOS..?

O Brasil é uma das mais prósperas cleptocracias do mundo (porque governado por ladrões poderosos, que se enriquecem ilicitamente com o exercício do poder). Ao mesmo tempo é uma República, onde a lei, teoricamente, valeria igualmente para todos. Nenhum privilégio é compatível com a ordem republicana. A última rodada da Operação Lava Jato (que prendeu, dentre outros, os donos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, que integram o topo da organização criminosa cartelizada, que faz anualmente a pilhagem de bilhões do erário) foi batizada de “erga omnes” (a lei e a Justiça valem para todos).

OdebrechtGutierrez numa cleptocracia a lei vale mesmo para todos

Isso é uma realidade ou um desejo? Igualdade pra valer e império da lei haveria se moralmente já tivéssemos alcançado os países escandinavos, por exemplo (Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia). Mas ainda não é o caso. No escândalo da Petrobras as instituições do poder jurídico de controle estão funcionando. Mas há uma nítida divergência entre o “código Moro” e o pensamento do STF.
Para Sérgio Moro não haveria investigação eficaz sem a prisão dos poderosos cleptocratas (ou seja, dos grandes ladrões do país). Para o STF o encarceramento em Curitiba não é necessário (no final de abril liberou 9 executivos, como sabemos). A tendência clara é que todos os novos encarcerados acabem indo para prisões domiciliares, com controle eletrônico e outras medidas cautelares alternativas. Dentre essas deveria figurar em primeira linha a fiança. Até hoje não entendi por que o STF não está fixando fianças de milhões contra esses executivos e donos de empreiteiras. Fere o senso comum a ausência de milionárias fianças nesses casos (para garantir eventual reparação dos danos, em caso de condenação).
Todos sabemos que não será tarefa fácil transformar o Brasil cleptocrata (da roubalheira generalizada promovida pelas bandas podres dos donos do poder econômico, financeiro, político, governamental, administrativo e social) numa verdadeira República (da igualdade perante a lei). O desejo de mudança briga com nossa cruel e extrativista História. É trabalho para muitos anos, mas é preciso começar prontamente. O povo deve ser salvaguardado das bandas podres que exercitam o poder.
Dois obstáculos (dentre tantos outros) devem ser derrubados. São eles: too big to fail (há grupos e empresas que são muito grandes para quebrar, para falir) e too big to jail (não há ninguém numa República que seja tão grande que não possa ir para a cadeia ou para a prisão domiciliar). Os grandes grupos econômicos e financeiros praticam chantagens para não quebrarem. Na crise de 2007-2008 vários bancos e grandes empresas estavam na iminência da falência. O governo norte-americano teve que ajudar todos, para o sistema capitalista não desmoronar.
O Brasil de 2015 enfrenta problema semelhante: ajudar ou deixar as grandes empreiteiras quebrarem (ou se empobrecerem fortemente)? Apesar de todas as acusações graves contra elas, sabe-se que o governo está tentando ajudá-las (inclusive estimulando para que participem de novas licitações). É do DNA do Brasil e do brasileiro (em geral) a permissividade frente ao ordenamento legal [1]. O “tudo acaba em pizza” não é, no Brasil, um fenômeno incomum. Resta saber até quando queremos suportar o peso de viver num país jurídica, educacional e socialmente fracassado.

[1] PINTO, Céli Regina Jardim. A banalidade da corrupção. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, p. 32.

BOECHAT SOBRE SILAS MALAFAIA: VOCE É UM IDIOTA, UM OTARIO, TOMADOR DE GRANA DOS FIEIS, CHARLATÃO.

Nesta sexta-feira (19), Ricardo Boechat perdeu a cabeça ao ser criticado por Silas Malafaia durante seu programa de rádio na Band News FM.
Bastante alterado, o jornalista disparou: "Ele está pedindo para eu parar de falar asneira num programa de rádio, incitando o ódio. Ô, Malafaia, vai procurar uma r*, não me enche o saco! Você é um idiota, um paspalhão, um otário, um pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia. Você gosta de palanque, e palanque eu não vou te dar".
A confusão começou porque o religioso reclamou no Twitter que o profissional, ao noticiar fatos de intolerância religiosa, teria insinuado que os integrantes de igrejas neo-pentecostais estariam constantemente envolvidos nos atos contra outros tipos de fé.
Sobre isso, Boechat garantiu: "Em nenhum momento, em nenhum momento mesmo, eu generalizei que pessoas que frequentam igrejas pentecostais tinham ações de preconceito. Até porque eu não sou idiota como você. Você é homofóbico, você é uma figura execrável, uma figura horrorosa, e que toma dinheiro das pessoas pela fé. Você é rico. Você é um charlatão, cara. Usa o nome de Deus, de Jesus, para tirar grana. Repito: vai procurar uma r*!". Silas, que compra um horário da programação semanal da Band na TV, voltou, então, a usar o Twitter para se pronunciar, fazendo menção a Johnny Saad, dono da emissora do Morumbi. "Vou perguntar ao meu amigo Johnny, dono da Band, se a política do grupo é caluniar e difamar pessoas. Uma vergonha!".







quarta-feira, 3 de junho de 2015

PÁTRIA DESEDUCADORA..!

Dilma anunciou a “Pátria Educadora” num dia e cortou R$ 70 bilhões do orçamento da educação no outro. Nossa pátria é, como se vê, programadamente deseducadora, porque é muito subversivo estimular as ignorâncias a buscarem sabedoria. Desde os gregos clássicos era assim: Sócrates (V a. C.), que inquieta as consciências extrativistas, logo soube do seu destino: a cicuta. Nós somos a continuidade dessa tradição ignorante: continuamos girando em círculo. Ninguém pode afirmar que o Brasil não esteja fazendo nada pela educação (5,5% do PIB é gasto nisso). De outro lado, ninguém pode contestar que estamos girando falsamente em círculos, com guinadas mirabolantes de 360 graus: volta-se sempre ao mesmo ponto.
Nos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX todos eram discursivamente contra a escravidão, mas ninguém acabava com ela (ao contrário, todos que podiam, incluindo as classes médias, tinham escravos em casa e não queriam, de verdade, mudar nada). Nos séculos XX e XXI todos somos discursivamente a favor da educação de qualidade, em período integral, mas ninguém a implanta. Por isso se diz (E. Giannetti) que a educação nos séculos XX e XXI é o equivalente moral da escravidão. Será que um dia teremos a Princesa Isabel da educação?.Praticamente nada do que apregoamos no século XXI já não foi diagnosticado e reivindicado no século XX. O Manifesto por uma Educação Nova no Brasil, assinado por intelectuais como Anísio Teixeira, Lourenço Filho, Roquete Pinto e Cecília Meireles, é de 1932 (veja O Globo de 28/3/32). O que se postulava na época (qualidade no ensino, valorização dos professores, educação em período integral etc.) é tudo o que consta do Plano Nacional da Educação (PNE) elaborado no século XXI. Ou seja: continuamos girando em círculo. Ainda estamos na fase de aspirações, desejos, metas não cumpridas. Houve evolução? Sim, mas os problemas essenciais perduram (analfabetismo absoluto – mais de 10 milhões -, analfabetismo funcional – ¾ da população -, falta de qualidade nas escolas públicas, universidades em frangalhos, mão de obra desqualificada etc.). Consequências: povo, em geral, sem consciência crítica, país não competitivo, baixa produtividade (são necessários quatro brasileiros para se equiparar à produtividade de um norte-americano), graves problemas éticos, violência epidêmica, corrupção sistêmica etc. 
“Na hierarquia dos problemas nacionais – dizia o Manifesto -, nenhum sobreleva em importância e gravidade ao da educação”. Depois de 43 anos de República [agora já contamos com 126 anos] “se verifica que não lograram ainda criar um sistema de organização escolar à altura das necessidades modernas e das necessidades do país”. O documento ainda dizia: “É preciso dar aos professores formação e remuneração equivalentes que lhes permitam manter, com eficiência no trabalho, a dignidade e o prestígio indispensáveis aos educadores” (apenas 75% dos professores possuem titulação superior; apenas 57% deles recebem a média das demais carreiras universitárias; tão-somente 12% dos alunos estudam em período integral; 2,9 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola etc.).
O Brasil continua sendo (em termos sociais) uma nação fracassada (69º lugar no ranking do IDH; 12º país mais violento do planeta; das 50 cidades que mais matam, 19 estão aqui; campeão mundial no item violência contra professores etc.) porque perdeu vários bondes da História (o da educação, por exemplo; e agora está perdendo o da tecnologia). As bandas podres das classes dominantes, eminentemente extrativistas, não permitem nenhum tipo de política inclusiva. Cultura da exclusão. Não se pensa na vida em sociedade (em comunidade). Cada um procura extrair (do Estado e dos outros) o máximo de acumulação possível: excesso de egoísmo, parasitismo, desigualdade extrema, corrupção, violência e vingança. Esse é o retrato preponderante do atraso brasileiro. Não será com lideranças extrativistas (os políticos são eleitos pela população alienada: seja porque as classes intermediárias odeiam a política, seja porque as classes populares não contam com consciência crítica) que vamos sair do atoleiro econômico, social, educacional e comunitário em que nos encontramos. Assim pensam os realistas. Os pessimistas dizem que a tragédia descomunal está apenas começando.









Fonte: http://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/194732480/patria-deseducadora?ref=home