Ordojuris.Blogspot





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Sou Advogado ou Advogado Psicólogo..?

“Ah, esse cliente é louco. Vem aqui, ‘se consulta gratuitamente’, não sabe o que quer e ainda não fecha o contrato”. Esse pensamento já passou pela sua cabeça? Pela minha já passou e por várias vezes utilizei essa desculpa para justificar o meu baixo desempenho.

Pode doer, mas o cliente sabe exatamente o que quer. O que acontece com muita frequencia é aplicação daquele velho ditado “Quando o único instrumento que você tem é um martelo, todo problema que aparece você trata como um prego".

Já ouvi de alguns clientes e alunos a frase típica de revolta “ sou advogado, não psicólogo”. Isso seria uma posição ajustada se não estivéssemos falando de pessoas como clientes.

Muitas vezes o cliente quer algo muito mais simples do que nossas soluções juridicas podem proporcionar. É necessário aprender a linguagem de resultados, mesmo que seu papel em eventual ação judicial não seja entregar a tutela jurisdicional.

Você já atendeu um cliente que fala, por exemplo, que quer uma revisão de beneficio que gera 80% de aumento em no máximo 6 meses, assim como foi com o primo do amigo do vizinho dele? Resultado de um pedido desse: advogado irritado. Eu já passei por isto e sei bem como é.

Para quem está no dia a dia do mercado jurídico e sabe quantas varíaveis interferem numa demanda, tem a sensação de que este pedido é uma afronta ao seu trabalho porque, involuntariamente, pensamos que o cliente só pode estar brincando.

Porém, é nesta hora que Advogados acima da média precisam se acalmar, focar no seu atendimento e entender que o cliente não é um estudioso da militância juridica e mesmo diante de tantas informações acessíveis no Dr. Google, é o advogado quem deve ter as qualificações necessárias para interpretar tais dados, pois o que para nós parece óbvio, para o cliente não é.

Devemos perceber que o cliente tem um desejo, ele quer experimentar algo que muitas vezes nada tem a ver com sua labuta juridica e cabe a você, ajudá-lo a entender melhor este desejo e oferecer-lhe uma solução compatível com a realidade juridica e suas peculiaridades. É a partir desta compreensão que bons advogados se apresentam, fazendo um alinhamento de percepção com o cliente através de argumentos bem embasados, criando o que chamamos de " proposta única de valor ".

Agora reflita, em seus atendimentos sua postura natural é a colheita de fatos ou a colheita de desejos?

E se eu lhe disser que com 5 perguntas, sem se expor, você pode entender o que o cliente realmente quer? Vamos lá:

Apresentações...

1. Em que posso ser útil?

2. O que você gostaria que acontecesse nesse caso para se sentir aliviado e satisfeito?

3. Como desejaria que essa questão fosse tratada pela parte contrária?

4. O que acredita que gerou esse problema?

5. O que a minha advocacia deveria fazer para atender sua demanda?

Essas perguntas geram reflexões profundas e certamente poderão proporcionar um atendimento único e inesquecível ao seu cliente. Duvide de mim e teste:)

Hoje recomendo-lhe um convite para inspirar sua semana, dia 30 de julho, estarei ministrando uma palestra gratuita com certificado, apostila e sorteios sobre o tema" Profissionalização na Advocacia ".

É ADVOGADO MAS ESTÁ DESEMPREGADO.? SEJA UM CORRESPONDENTE!

Muitos profissionais formados em Direito estão financeiramente estabilizados, e até participam de escritórios e sociedades de advocacia que trazem ganhos bastante satisfatórios. Porém, infelizmente esta não é a realidade para muitos outros causídicos. Com a proliferação desenfreada dos cursos jurídicos, nos últimos anos o mercado da advocacia ficou saturado em nosso país, e isso faz com que muitos profissionais recém-formados não consigam emprego ou ainda tenham que se submeter a baixos salários oferecidos pelos escritórios, já que há muita procura e nem tanta oferta.

Uma possibilidade para ampliar a chance de contratação e obtenção de melhores salários é investir em qualificação, buscando cursos de pós-graduações e de extensão, a fim de impulsionar a carreira. Entretanto, para aqueles que estão desempregados ou insatisfeitos com as condições do atual escritório ou que pretendem ter um pouco mais de liberdade, uma ótima opção é ser um advogado correspondente.

O que é e o que faz um advogado correspondente?

Um advogado correspondente (ou correspondente jurídico) é aquele profissional que realiza serviços específicos para escritórios de advocacia ou empresas que se encontram distantes do local onde a causa (a demanda judicial ou administrativa) está tramitando – ou seja, estão em outras cidades ou estados.
O correspondente não está ligado ao processo ajuizado como representante jurídico direto dos clientes do escritório remoto, mas está apto a realizar atividades juridicamente peculiares em prol dos interesses desses, a partir de um ato de contratação pelo patrono original da causa.

Quais são as vantagens de se contratar um advogado correspondente?

No Brasil, o advogado precisa estar inscrito no Conselho Seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em que for estabelecido o domicílio profissional. Com esta inscrição principal, poderá atuar em todo território nacional: de forma livre no Estado em que fora inscrito originalmente, e nos demais Estados (Conselhos Seccionais) poderá agir sem inscrição como representante jurídico em até 5 (cinco) causas por ano. A partir da 6ª intervenção judicial, o advogado terá que obrigatoriamente realizar uma inscrição suplementar no Conselho Seccional daquele Estado, inclusive pagando mais uma anuidade profissional.
Assim, um advogado que está localizado em um determinado Estado contará com o auxílio remoto de um correspondente jurídico, em parceria, para examinar e dar o correto prosseguimento de suas causas que estejam tramitando em Estado ou cidade diversa de onde está seu domicílio profissional.
Essa parceria gera celeridade nos acompanhamentos processuais e mais segurança para o escritório principal, sem que seja preciso se preocupar com novas anuidades da OAB em outros locais ou com gastos frequentes de deslocamento de seus advogados para cuidar dos processos que tramitem em tribunais distantes. A medida é muito útil também nos casos emergenciais, em processos que demandem atos urgentes em que o patrono inicial da causa não poderá estar presente.

Quais são os benefícios de ser um advogado correspondente?

É evidente que o advogado correspondente deve ter conhecimento da profissão e das práticas forenses, além de ser responsável, vigilante, proativo e eficiente. Mas a ocupação não exige tamanha experiência, sendo uma boa alternativa, por exemplo, para aqueles que se iniciam na carreira jurídica. Muitas vezes as diligências e tarefas são bem explicadas pelo advogado contratante, não exigindo grande inovação de decisões por parte do advogado enviado. Além dessa praticidade, destaca-se a possibilidade de maiores ganhos financeiros e estabilidade para aquele que inicia na carreira de correspondente.

Como se tornar um advogado correspondente?

A relação jurídica contratual entre correspondente e advogado principal ocorre exatamente entre esses dois profissionais, sem qualquer vínculo com os clientes do escritório contratante. Isso significa que todas as diligências feitas remotamente e outros serviços prestados – como assessorias jurídicas, cópias de processos e acompanhamentos de julgamentos – ficam a cargo do profissional que contrata.
Portanto, uma das formas mais simples de se tornar correspondente jurídico é ser designado pela própria firma ou escritório onde se trabalha para se fixar provisória ou definitivamente naquela localidade remota a fim de cuidar dos processos lá tramitados, recebendo algum benefício salarial em troca. Outro meio novo e eficiente de se tornar um advogado correspondente é se cadastrar em sites e plataformas que auxiliam empresas e profissionais que desejam trabalhar desta forma. Através desse serviço você será facilmente encontrado por escritórios e advogados de todo o país através de um sistema de buscas.

Uma terceira opção é tentar associar-se aos escritórios de outros Estados, para efetuar tal tipo de ocupação na localidade de seu domicílio profissional. Há ainda a possibilidade de tentar a contratação direta em empresas de profissionais liberais especializadas nesse tipo de prestação, que serviriam de intermediárias, o que é facilmente verificável após simples pesquisas na Internet. Com certeza, há alguma dessas perspectivas em seu Estado ou cidade!













quinta-feira, 9 de julho de 2015

JUIZ QUE SOLICITOU AOS ADVOGADOS FICAREM DE PÉ RESPONDE À POLEMICA.

Encontramos hoje esse comentário no Jus, supostamente do juiz José Roberto Moraes Marques, respondendo à polêmica com as razões de ter solicitado aos advogados que ficassem de pé quando da sua entrada na sala de audiências.

Vale ler o outro lado e votar no comentário para que ele tenha seu direito de resposta.
Segue a transcrição do texto do comentárioCarissimos:
 De inicio, peço desculpas pela nao formataçao e correçao do texto, por se tratar do teclado do Slate.Eu sou o Juiz Jose Roberto Moraes Marques, aquele que acabou por fixar o cartaz. E o fiz nao para engrandecimento pessoal, vaidade ou coisa que valha, porque sou apenas um agente politico, que procura desempenhar o sacerdocio da magistratura. Costumo ir ao forum a partir das 10 horas e permaneço ate por volta das 20 horas, todos os dias uteis, e, as vezes, ate no sabado.A questao nao eh normativa ou de imposiçao. Eh de educaçao pela solenidade do ato processual, que, dependendo da relevancia, ha inclusive disciplina legal, como no Tribunal do Juri.Nao alimento nenhuma discordia ou animosidade com as demais classes, advogados, procuradores, promotores, delegados, enfim, operadores do Direito. Mas se deve ter educaçao. E isso se faz por liturgia, procedimentos, dos mais simples aos mais complexos.Quando se fala em Juízo, entenda-se, eh o todo, Juiz, Promotor, Advogado, Partes, Serventuarios.No dia em que afixei o cartaz, ocorreram situaçoes inusitadas. Antes de ingressar em audiencia, estava no gabinete, ouviam-se quase gritos entre advogados e as partes. Ingressei, disse boa tarde a todos e pedi silencio por um momento. Comecei a audiencia, tentando conciliar as partes, solicitando, inclusive, auxilio dos respectivos patronos, sempre de maneira urbana. Mas, infelizmente, se queria o quexume, a querela. Depois de realizados os atos, proferi sentença. Mas, enquanto isso, um dos advogados atendeu a uma ligaçao telefônica. Fiquei em silencio, aguardando ele terminar a chamada. O outro, depois, mandando mensagem pelo telefone. Chamei atençao, alertando acerca da contemplaç "concept of Court", e a propria solenidade do ato.Noutra audiencia, quando colhia o depoimento de uma das partes, o advogado da parte contraria se levantou e saiu, sem nada dizer. Parei o ato. Ele voltou e indaguei o motivo da saida da sala de audiencia, sem a comunicaçao. Ele verberou, noticiando que exercia prerrogativa deferida pelo Estatuto da Ordem. Ponderei, dizendo que sabia da norma. Mas que ela tinha uma razao de ser. O advogado pode ficar sentado, em pe ou sair da sala ou sessao sem pedir licença, mas quando nao for ator do ato processual. Se o for, tem que pedir licença, senao ocorre ate a macula do processo.Nao fosse isso o bastante, noutra audiencia, ao fazer um questionamento a uma testemunha, o advogado gritou "PROTESTO". Fiquei atonito. Expliquei que a figura existe no nosso Direito, como instrumento comercial, de natureza extraprocessual, de notificaçao de nao pagamento, constituição de mora etc, e o aquele protesto pelo novo juri. No mais, nao.O que entristece eh que um fato tao simplorio, sem importancia, ganhe tanto relevo, inclusive da propria Ordem, que poderia exercer com mais eficiência a defesa do cidadao e da Justiça, ate porque o advogado eh indispensavel a Administraçao da Justiça. Poderia ela, por exemplo, ministrar cursos para advogados recem ingressos na carreira, de como se portar em audiencia, descortinando o principio da oralidade etc, aprimorando cada vez mais a propria advocacia. Mas, infelizmente, da-se as vezes espaço para meras vicissitudes, fazendo do Direito algo qualquer.Fico entristecido quando percebo um advogado nao saber lidar com fatos em audiencia, por exemplo, formular pedidos erroneos, chegando ao ponto de solicitar a Serventuario interpretaçao acerca de um despacho ou de uma decisao interlocutoria. E em audiencia, com a concentraçao dos atos, necessario dominar o assunto e saber adotar as ferramentas necessarias para que seja aplicado o bom direito.Por fim, para nao me alongar, porque são tantas as historias, que certo dia, ao encerrar a instruçao do processo, abri os debates orais, dando a oportunidade para que os advogados, no tempo concedido, pudessem demonstrar conhecimento sobre a materia e os detalhes da prova oral colhida, de modo inclusive a demonstrar para a sua clientela o porque dos honorarios cobrados. Dada a palavra a um deles, disse: "Nao quero me manifestar."Dada a paalvra ao outro. "Ja que ele nao quer se manifestar, tambem nao quero faze-lo."Proferi sentença, deixando de majorar os honorarios de sucumbencia em relaçao ao advogado que patrocinou a causa do cliente que tinha o bom direito, pelo fato de nao saber valorizar-se.Como sou ninguem de importancia, tirei o cartaz. Semana que vem, farei as audiencias em pe. As partes, os advogados, o Promotor, os estagiarios, os estudantes de Direito, podem ficar sentados. Nao me importo. Preocupo-me simplesmente em respeitar a Deus e as pessoas, como mandamento divino, e, por juramento por ocasiao da posse, a Constituição e as Leis, distribuindo Justiça.
Obrigado pela atençao.







fonte:http://rafaelcosta.jusbrasil.com.br/noticias/205847251/juiz-que-solicitou-aos-advogados-ficarem-de-pe-responde-a-polemica?ref=home 

MAIS UMA PESSOA AMARRADA EM POSTE. MAIS UM LINCHAMENTO.

Um homem de 29 anos foi linchado por moradores do Jardim São Cristóvão, em São Luís (MA). Segundo a polícia civil, ele havia tentado assaltar um bar, quando foi rendido, amarrado nu em um poste e agredido até a morte com socos, chutes, pedradas e garrafadas. Um jovem de 16 anos que seria seu cúmplice também foi espancado, mas sobreviveu. 
Foto: Biné Morais
Fiz questão de postar a imagem. Alguns leitores psicopatas sentirão orgasmo com ela. Para esses, há pouco a ser feito fora da medicina. Contudo, não acredito que a maioria de vocês ache normal uma turba de moradores fazer justiça com as próprias mãos – e com requintes de crueldade.

Ou indo direto ao ponto: a Lei Áurea completou 127 anos, mas a sociedade ainda coloca negros no pelourinho. Por raiva, por vingança, para servir de exemplo. Desde que jornalistas fizeram apologia ao fato de um jovem ter sido preso a um poste e espancado, como punição por um suposto crime, no ano passado, no Rio de Janeiro, a moda parece ter pegado. Pois, depois disso, outros casos pipocaram pelo país.

"Parabéns, colegas. Parabéns a todos os envolvidos".

Foto: Mirante.com
Teoricamente em algum momento da história humana, nós abrimos mão de resolver as coisas por conta própria para impedir que nos devoremos. Sei que parte da população, cansada de esperar que o poder público cumpra seu papel e garanta condições mínimas de segurança, ressuscita seus instintos mais primitivos. O sistema que criamos para isso não é perfeito, longe disso, mas é o que tem para hoje.
O Brasil não tem pena de morte. Oficialmente, é claro. Porque muitos governos e suas polícias fingem que não sabem disso. E, não raro, turbas processam, julgam e executam também. Ao criticar linchamentos públicos de “culpados'' ou “inocentes'' não defendo “bandido'' ou “impunidade'', mas sim esse pacto que os membros da sociedade fizeram entre si para poderem conviver (minimamente) em harmonia.
Se algo causa impacto, é claro que será copiado. Não estou jogando a culpa no mensageiro ou dizendo que o mimetismo é a causa, mas nós jornalistas temos certa parcela de responsabilidade. E não falo apenas por conta da banalização da violência. É a sua transmissão acrítica, como se notícias fossem neutras, não houvesse contexto social e todos os receptores da informação compartilhassem dos mesmos valores.
As pessoas veem, as pessoas copiam. E a sociedade vai indo da barbárie para a decadência sem passar pela civilização.